Teresa Caeiro

Natural de Vila de Frades (14/04/1995), Teresa Caeiro cresceu sempre rodeada de pessoas que dominavam a arte do vinho de talha. Na sua adolescência viveu em Lubango, Angola. Estudou Engenharia de Minas, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa e, mais tarde, em Viticultura e Enologia na Universidade de Évora. Regressou a Vila de Frades em 2019, para lançar o projeto Gerações da Talha junto com o marido, João Enteiriço, inaugurando desde logo uma primeira coleção: Farrapo (Branco e Tinto). Mais tarde, lançou a referência NaTalha (Branco, Tinto e Palhete), e alguns especiais como o Professor Arlindo (homenagem ao avô, que aos 85 anos ainda lhe ensina, diariamente, coisas sobre o vinho da talha) e o Tubarão na Talha (2021). Pelo meio, João e Teresa lançaram, também, o Desfarrapo (2022) e o Atão, Vás Tinto? (2023). “Comecei a gostar de vinho à medida que a Gerações da Talha foi avançando. Quando iniciei o projeto, não sabia nada sobre vinho, foram as feiras e as pessoas do vinho que me ensinaram. Nas primeiras fichas técnicas dos vinhos, as características dos mesmos eram definidas em provas com amigos produtores e amigos sommeliers”, conta. É mãe de Maria Leonor e de Luz, e está atualmente a estudar Pedagogia Waldorf. Teresa é quem pensa o projeto Gerações da Talha, sempre considerando que levar o vinho de talha ao mundo, na sua fórmula mais verdadeira, é a sua missão primordial.

“A minha primeira memória relacionada com o vinho são os petiscos na casa dos meus pais. Lume, amigos, vinho, grelhados e muita galhofa. Não posso precisar de quando é, provavelmente vem desde que nasci.” 

João Enteiriço

Nasceu em Beja, cresceu entre a cidade, a Vidigueira e São Matias. Formou-se, pela Universidade de Évora, em Engenharia e Energias Renováveis, e trabalhou no lagar da Herdade do Sobrado, em Ferreira do Alentejo, antes de aceitar o desafio da mulher e companheira de negócios, Teresa Caeiro, de começar o projeto Gerações da Talha. É ele quem mexe as talhas, todas as temporadas, e cuida permanentemente da adega. Em 2024 abriu a Taberna do Enteiriço, restaurante em Vila de Frades, dedicado à cozinha local com um toque moderno, tendo recentemente sido distinguida com um Solete do Guia Repsol. É pai de Maria Leonor e de Luz, e está atualmente a começar uma banda experimental, pois toca bateria. A música é uma das suas paixões, nunca desilude uma banda sonora criada por si, seja para a adega ou para a taberna. Nos eventos sociais, é o grande anfitrião da casa.

“Comecei a provar vinhos depois da Teresa ter esta vontade de produzir vinhos próprios! Ou seja, para aí em 2017/18”

Isabel de Jesus Pires

Isabel de Jesus Pires (26/11/1994) nasceu em Évora, mas cresceu em Santana. Começou a colaborar com a Gerações da Talha em 2025, depois de trabalhar dois anos como psicóloga. A sua formação foi em Design, na Universidade de Évora – Escola de Artes – e mais tarde em Psicologia (com mestrado em Clínica, e pós-graduação em Terapia baseada nos Esquemas), pela Escola de Ciências Sociais da mesma universidade. Estagiou no CPAE (Centro de Psicologia Aplicada do Exército), em Queluz, onde fez recrutamento e seleção de militares, consultas internas e externas, e acompanhamento de soldados em missão.“A minha história enquanto apreciadora de vinho não é longa, embora esta bebida tenha estado sempre presente na minha vida e na minha mesa por intermédio dos meus pais. O meu pai, grande consumidor de vinhos da Vidigueira, com preferência pela casta Antão Vaz, sempre, desde que me lembro, bebe vinho branco, todos os dias à refeição, sem falhar. Esta predileção contrasta totalmente com os gostos da minha mãe, que todos os dias bebe um copo de tinto (gosto que diz ter herdado do meu avô), e não vê grande encanto no Antão Vaz. Isabel adora cozinhar e é vegetariana, confeciona sobremesas como ninguém e domina a arte do bem receber. É ela quem faz as visitas e provas na adega, sempre com um sorriso no rosto.

“A minha primeira memória relacionada com vinho é do meu avô, cantador e frequentador assíduo das tabernas e adegas de Vila de Frades, que comprava e transportava até Santana, dos dois lados da sua motoreta, garrafões de 5 litros de vinho.” 

Rita Silva Avelar

Nasceu em Beja (22/03/1993), cresceu em Ferreira do Alentejo, e tropeçou afortunadamente em Vila de Frades, por acaso, em 2022. Estudou Ciências da Comunicação no ISCSP, em Lisboa, em 2013. Teve um bebé em 2025, o Xavier, o que a fez – entre outras razões – deixar Lisboa, a Máxima (revista) e a Must (website), onde trabalhou 12 anos, primeiro como jornalista, depois como editora. Tocou saxofone 10 anos, escreve com frequência sobre vinhos e gastronomia, e adora cozinhar e receber em casa. Viajar é uma das suas paixões. Na Gerações da Talha, assumiu desde o final de 2025 o papel de Gestora de Comunicação, acompanhando visitas, recebendo jornalistas, operadores turísticos e outros parceiros e clientes.

“A minha primeira memória ligada ao vinho é em casa dos meus avós paternos, em Coimbra. O meu avô Henrique pedia ao meu irmão para ir à adega encher o jarro, sempre tinto. No Alentejo, o meu avô Chico bebia branco, creio que precisamente da Vidigueira, muito regrado. Comecei a apreciar vinho muito mais tarde, em casa de amigos, com o deleite de ir escolher uma garrafa para determinado jantar. Uma vez morei ao lado de uma garrafeira, em Benfica, e jurei que no futuro iria ter em conta a localização da casa e a proximidade de uma loja para bem das minhas poupanças. Perdia-me em busca de vinhos que poderiam ser surpreendentes e ficava horas a falar com os funcionários.”

Fizemos algumas perguntas à nossa equipa

Primeiro vinho marcante?

“Muralhas, com 12 anos, com os meus avós no Porto. Foi a minha primeira escolha numa carta de vinhos (shame!).”

Uma casta?

“Escolheria castas antigas da vinha do Sr. Apolónia. A monocasta é algo muito recente no mundo do vinho. É nas castas mais antigas que encontramos a história, a raiz, a pureza de uma verdade com 2000 anos.”

Tinto, branco ou palhete?

“Hoje branco, no verão palhete, mas o tinto….. é o tinto.”

Uma canção à mesa?

“Favas com chouriço – José Cid”

Um prato, um restaurante?

“Muito difícil! Sopas de tomate da minha avó. Casa da minha avó.”

Um rótulo?

“Que represente, o mais possível, o vinho que está lá dentro. Não a história do vinho, mas sim, o vinho. Um vinho mais sério, mais encorpado, deve ter um rótulo mais “sério”; um vinho de fermentação natural, fresco, leve, deverá ter cores alegres, ser jovem.”

Um vinho perfeito?

“Um vinho perfeito é um vinho verdadeiro. Que traduz o terroir, que respeita a uva que lhe dá origem, que vem de uma vinha na qual se pense em 100 ou 500 anos para a frente.”

Perfil de vinho?

“O meu perfil de vinho depende muito do prato, da companhia e do estado de espírito. Posso beber um branco super encorpado ou um branco leve e fresco, mas sempre com alguma intensidade. Gosto de vinhos que me marcam a memória.”

Um brinde?

“Saúde e amor. Precisamos de muito amor, neste mundo de ego e de ódio.”

O encanto da talha?

“No processo de vinho de talha fascina-me o início da fermentação espontânea. Quando aprendi a fazer vinho de talha com o meu avô, já ele usava leveduras artificiais. Na universidade, nem se falava de outra opção. Então, no 2º ano, quando comecei a assumir 100% da produção dos vinhos Gerações da Talha, deixei de usar leveduras. E se dantes as fermentações iniciavam em dois dias, agora passaram a iniciar em quatro ou cinco dias. Então, entrar na adega ao fim desses dias e começar a ouvir as leveduras ‘tchuc tchuc tchuc’ é das coisas mais fantásticas de sempre! No entanto, o meu primeiro som do vinho é o do ‘vinho a correr e os espanholitos no fogo’ ainda na casa dos meus pais. O som do vinho a correr é mágico. O som das parvoíces, das anedotas e das modas no campo também me fascina. A talha é especial porque é sangue do meu sangue. É a minha verdade, a minha história.”

Primeira vindima?

“A minha primeira vindima recordo-a a tentar apontar tudo o que meu avô dizia. Queria escrever um livro sobre cada história que o meu avô contava. Sobre tudo o que aprendi com o Chico – funcionário naquela adega, ainda com o meu bisavô.”
.

Um deleite do dia?

“Saber que nunca há dois dias iguais. É saber, diariamente, que continuamos a escrever a história. É saber que a história está a ser contada e divulgada – tal como o meu primeiro objetivo traçado em 2019.”

O que te tira do sério?

“Falta de noção e falta de perspicácia. Falta de verdade. O medo de, apesar de estar a fazer algo lindo e maravilhoso, não ser suficiente para mudar o mundo.”

O que te faz rir?

“Uma piada parva, uma anedota.”

Um mantra?

“O mundo só precisa de amor.”

Primeiro vinho marcante?

“Talvez algo da HMR, um Pousio… Ou o Alicante Bouschet da Adega Cooperativa de Vidigueira.”

Uma casta?

“O Antão Vaz. Porque é a nossa casta e é nela que devemos depositar todo o nosso empenho.”

Tinto, branco ou palhete?

“Branco.”

Uma canção à mesa?

“Venham mais cinco – Zeca Afonso”

Um prato, um restaurante?

“Eu gosto de frango assado, em restaurante ou take-away. Adoro o cheiro do frango assado com batatas fritas no carro. Por isso, o restaurante preferido posso dizer que é o Cartó.”

Um rótulo?

“Que não seja chato, e que me desperte curiosidade por qualquer coisa estranha. Desde um rótulo em branco minimalista a um rótulo cheio de cores berrantes que me fazem descortinar o que está lá por trás.”

Um vinho perfeito?

“Para mim um vinho perfeito, é um vinho equilibrado entre um nariz aromático, boa acidez na boca, e principalmente que saiba a fruta e não a extratos e leveduras. Malvasia de Collares – Ramillo.”

Um brinde?

“Curioso, à saúde! mas penso também na amizade, na disponibilidade e no acaso que proporcionou a reunião daquelas pessoas naquele momento.”

O encanto da talha?

“Sem dúvida o loteamento/prova de cada talha.[A talha é especial porque] não é preciso muito para fazermos vinho! Basta uva, um recipiente e muita vontade e amor.”

Um deleite do dia?

“A possibilidade de poder criar qualquer coisa nova todos os dias.”

O que te tira do sério?

“Tira-me do sério o facto de me tirarem as coisas dos sítios.”

O que te faz rir?

“O que me deixa rir às gargalhadas é o vinho :).”

Um mantra?

“O meu mantra é que ‘Toda a gente pode ser tudo.’”

Primeiro vinho marcante?

“Um vinho Lambrusco, com um rótulo bordeaux com árvores verdes e castanhas, de que não me recordo o nome, num restaurante italiano.”
.

Uma casta?

“Escolhia a casta Roupeiro, por ser aromática, floral e frutada.”

Tinto, branco ou palhete?

“Branco.”

Uma canção à mesa?

“Se estivermos no Alentejo, uma moda alentejana combina sempre bem. Adoro a Rosa Albardeira.”

Um prato, um restaurante?

“É muito difícil escolher apenas um prato quando se trata de culinária alentejana. Um dos pratos com mais sabor e que comi com mais satisfação ultimamente foram as migas de tomate e pimento, com beringela e molho de iogurte fumado, na Taberna Sal Grosso. Recomendo.”

Um rótulo?

“Deve ter cor, contraste e deve contar uma história.”

Um vinho perfeito?

“Gosto de vinhos leves, frescos e aromáticos. Com aromas de frutas e flores, boa acidez, e sem estágio em madeira. Não muito encorpados, que transmitam elegância, e que combinem com pratos vegetarianos e petiscos.”

Um brinde?

“Todas as desculpas são ótimas para fazer um brinde.”

O encanto da talha?

“A abertura das talhas, a festa do São Martinho e o espírito de partilha que existe nesta época. A talha é especial pela história que carrega, e por permitir um processo totalmente sustentável.”

Primeira vindima?

“Muito mais divertida do que alguma vez imaginei. Começou muito cedo, ainda antes do nascer do sol, mas com música e boa disposição. A manhã passou muito rápido e, quando dei conta do relógio, as uvas já estavam na adega a serem colocadas dentro das talhas.”

Um deleite do dia?

“Adoro receber bem, como se fosse em minha casa. Desde planear e organizar uma prova ou evento, assistir ao primeiro olhar dos clientes sobre a mesa, e vê-los a construir o seu imaginário do que era o vinho de talha no passado, como surgiu, e tudo o que fazemos no nosso dia a dia, através do storytelling e da partilha de experiências. Desde o início do meu curto período de trabalho na área do enoturismo, o que mais me encanta é o poder de contar histórias através da gastronomia (no caso, dos vinhos em particular) e como é possível criar experiências enriquecedoras, e que permanecem na memória dos sentidos e que fazem as pessoas sentirem-se, durante um momento, especiais.”

O que te tira do sério?

“Não gosto quando alguém descombina um plano à última hora.”

O que te faz rir?

“O que me faz rir às gargalhadas são situações relacionáveis.”

Um mantra?

“Acho que isto não configura um mantra, penso que é mais uma convicção, mas acredito que em muitas situações e decisões importantes vamos falhar primeiro, e talvez por várias vezes, até encontrar a resposta ou o caminho certo, e está tudo bem.”

Primeiro vinho marcante?

“Um Casa de Sabicos, algures em 2015. Uns anos depois, descobri a história da marca, e ainda fiquei a gostar mais, por ser uma história de matriarcas que já vai na sua quinta ou sexta geração..”

Uma casta?

“Alfrocheiro, pela sua capacidade de mudar completamente as características de um vinho. E agora mais ainda, por ser parte da composição do nosso Atão, Vás Tinto?

Tinto, branco ou palhete?

“Atualmente, palhete. Adapta-se a todas as estações e pratos. É versátil e acrescenta sempre qualquer coisa à comida.

Uma canção a mesa?

“Navegar, navegar, do Fausto.

Um prato, um restaurante?

“Ensopado de borrego, da minha tia Maria. Um restaurante, tantos, mas pode ser o Tói Faróis, pela simplicidade e pelo sítio onde está inserido, em Porto Peles, uma terra com uma das paisagens mais desarmantes que já vi, e que tem o pôr do sol mais bonito que conheço.”

Um rótulo?

“Vibrante, original. Pode ser completamente minimalista, desde que seja visualmente inteligente e que cative para a compra.”

Um vinho perfeito?

“Aquele que deixa memória. Equilibrado, de preferência não demasiado marcado por madeira, que se deixe beber.

Um brinde?

“À saúde e aos amigos.”

O encanto da talha?

“A capacidade extraordinária de transformar a uva naquilo que depois vem a ser o vinho, sem praticamente intervenção humana. E o facto de todas as talhas serem diferentes, com formatos e tamanhos distintos, além da sua longevidade e resistência. São autênticas provas de resistência.”

Primeira vindima?

“Nunca fiz propriamente uma vindima, tenho memórias do meu avô paterno a fazer vinho, na sua adega, da uva a chegar e do vinho a correr dos recipientes. Recordo-me das uvas a serem apanhadas das poucas videiras que tinhamos, e de as levarmos para pisa, um processo diferente do vinho de talha. Mas o cheiro da fermentação é universal e inconfundível.

Um deleite do dia?

“Café da manhã no mercado da vila, antes de entrar na adega, o som da chave ao entrar na adega, com o silêncio imponente lá dentro. Ir buscar o meu filho à escola.”

O que te tira do sério?

“Destratar pessoas, falta de humildade, injustiça social.

O que te faz rir?

“Uma boa situação caricata, inesperada (geralmente rir a meio de uma tragédia aligeira o clima). Pessoas altamente genuínas, sem maldade, que na sua ingenuidade criam situações inesperadamente divertidas. A minha tia Júlia.” 

Um mantra?

“A vida é uma partilha constante, tempo em família e em comunidade é o segredo para sermos felizes.”

0
    0
    Carrinho
    O carrinho está vazioVoltar à Loja